
Marcelino era um cara tranquilo, de bem com a vida, de humor bem dotado e com grande alma e coração. Era uma pessoa simples, andava como os outros, sem muito glamour, enfim, uma pessoa razoávelmente bem financeiramente. Gostava do básico, feijão com arroz, pão com manteiga, de um choppzinho nas sextas-feiras após o trabalho, aquela velha e gostosa roda de pagode que frequentava há anos.
Resolveu dar um rumo em sua vida, terminar a faculdade, já que era cobrado pela Sucursal de São Paulo para prosperar em sua carreira. Estava decidido! Iria se inscrever no mês seguinte e terminar aquele estudo que havia deixado anos para trás com aquelas velhas e antigas desculpas de alguém que se acomodou com o tempo.
Lápis, caneta, e aquela velha mochila Jeans da época do 2° grau. Sorriso no rosto, peito estufado, ar decidido, era assim que se via Marcelino ao sair do trabalho em direção a faculdade. Realmente era um cara determinado, pois era difícil ver alguém com quase 39 anos resolver terminar os estudos por uma oportunidade congelada há alguns anos. Era diferente, nunca havia presenciado isso, era novo, se sentiu importante. Esse era Marcelino. Sorriu.
Era um cara sensato, sabia das suas limitações, até mesmo pelo peso que carregava nas costas de bons 39 anos no almoxarifado. Se dedicava, não dava mole com os estudos, mas as coisas vinham piorando a cada dia na faculdade. Os rabiscos dos seus rascunhos já não possuíam tanta clareza, e aos poucos viu sua média cair. Não titubeava, tentava, estudava, mas ainda não era o suficiente para passar. Acreditou. Sentiu que daria para passar. Mas ficou para as provas finais no fim do ano. Dessa vez havia feito uma promessa com ele mesmo, que iria passar custe o que custar.
Infelizmente, justo no dia da sua prova final, Marcelino ficou no meio do caminho. Tentou correr, mas ouviu os disparos ao fundo. Havia reagido a um assalto, só tinha 10 reais na carteira e eram exatos de sua passagem de ida e volta, sentiu sua pele queimar 3 vezes. Caiu. Ainda conseguiu ter forças para olhar o relógio e ver que estava atrasado para a prova, mas não resistiu e morreu ali mesmo. Marcelino não compareceu a prova, e foi reprovado automaticamente pelo professor que esperou durante 20 minutos.
...uma homenagem a mim mesmo...
...e aos dias que nunca voltam!
Rafa, 18/12/08
Um comentário:
Gostei!!
mais caramba q dia heim!!!!
Fiquei com pena!!
rsrsrrs
bjss
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