uma homenagem ao badunda...

Justiceiro implacável
Batistão. Assim mesmo no aumentativo, como se o pai adivinhasse que aquele bebezinho com cara de joelho fosse virar aquele brutamontes que era hoje. Hoje era sábado e sábado era o dia do futebol de manhã, com a turma lá da firma. Mas o que Batistão gostava mesmo era da cerveja que rolava depois do esporte bretão. Ficava lá bebendo até mais tarde quando pegava o carro de volta pra casa. Era na hora em que sabia que a mulher já devia estar terminando o almoço. Não precisaria ficar em casa esperando a comida ficar pronta. No máximo, o tempo de uma lata de cerveja que tomava na cozinha, apertando a bunda de Eulália. Eulália era a esposa, que não gostava muito quando Batistão chegava do futebol mais cedo. Ficava na cozinha beliscando a sua bunda e ela ficava incomodada, pois o filho estava ali por perto e ela não gostava dessas liberdades na frente do guri. Mas Batistão não estava nem aí para Eulália, nem para o filho que ficava dizendo para o pai que queria ir ao futebol. “Vê só!”, pensava Batistão, imaginando aquele pirralho correndo pela quadra, interrompendo o seu futebol, a sua cerveja e a sua conversa. Aquele sábado foi um dos tradicionais, em que Batistão ficou apertando a bunda da patroa de cara feita. Feijoada foi o prato do almoço. Com todos os pedaços do suíno que se convém a uma bela feijoada. Ainda estava chupando um pedaço do pé do porco, quando a TV anunciou o faroeste. “Beleza!”, ele pensou, enquanto dava um gole na cerveja para empurrar a carne goela abaixo. Largou o prato cheio de ossos na mesa, enquanto levantava e dava um belo arroto, para desespero de Eulália e alegria do garoto, que ficou rindo do pai. Sábado à tarde. Barriga cheia, cervejinha do lado e cowboyzão dos bons na TV. Esparramou-se na poltrona de courino vermelho e botou a cerveja na mesinha ao lado, enquanto Eulália arrumava a cozinha do almoço. O menino postou-se à sua frente pedindo um novo arroto, que fosse tão alto, que o Juvenal, o vizinho, pudesse escutar. “Ô, menino! Sai da frente, caralho!” Queria assistir o filme, era daquele dos bons, muito sangue e balas. O filho parou com os pedidos de arroto, mas continuava a brincar na sala e teimava em atrapalhar o seu programa. “Ô mulé, não tá vendo que o seu filho tá aqui me atrapalhando?”, gritou Batistão. “Aproveita e me traz mais uma cerveja!” . Eulália veio esbaforida com a cerveja na mão e levou o pivete, que saiu chorando com um bonequinho na mão. O homem pegou a cerveja, reclamou da temperatura, abriu e deu mais uma bela golada. O tiroteio corria frouxo na TV. Estranhou o olhar do bandido em direção à câmera. Deu até medo. Ficou cismado que ele estava o repreendendo pela atitude com o filho. E o vilão voltou a atirar contra os mocinhos. Porém, uma das balas foi destinada ao homem no sofá, que deixou a cerveja cair ao sentir o projétil perfurando o seu tórax. Enterraram Batistão como mais uma vítima de bala perdida. Na volta para casa, Eulália ficou pensando como sustentar o menino, que havia ficado em casa, cuidado pela avó materna. Sabe-se que o filho cresceu e virou bandido, para se vingar de alguém que não existia e que havia dado fim ao seu pai, aquele que nunca o levou ao futebol.
Batistão. Assim mesmo no aumentativo, como se o pai adivinhasse que aquele bebezinho com cara de joelho fosse virar aquele brutamontes que era hoje. Hoje era sábado e sábado era o dia do futebol de manhã, com a turma lá da firma. Mas o que Batistão gostava mesmo era da cerveja que rolava depois do esporte bretão. Ficava lá bebendo até mais tarde quando pegava o carro de volta pra casa. Era na hora em que sabia que a mulher já devia estar terminando o almoço. Não precisaria ficar em casa esperando a comida ficar pronta. No máximo, o tempo de uma lata de cerveja que tomava na cozinha, apertando a bunda de Eulália. Eulália era a esposa, que não gostava muito quando Batistão chegava do futebol mais cedo. Ficava na cozinha beliscando a sua bunda e ela ficava incomodada, pois o filho estava ali por perto e ela não gostava dessas liberdades na frente do guri. Mas Batistão não estava nem aí para Eulália, nem para o filho que ficava dizendo para o pai que queria ir ao futebol. “Vê só!”, pensava Batistão, imaginando aquele pirralho correndo pela quadra, interrompendo o seu futebol, a sua cerveja e a sua conversa. Aquele sábado foi um dos tradicionais, em que Batistão ficou apertando a bunda da patroa de cara feita. Feijoada foi o prato do almoço. Com todos os pedaços do suíno que se convém a uma bela feijoada. Ainda estava chupando um pedaço do pé do porco, quando a TV anunciou o faroeste. “Beleza!”, ele pensou, enquanto dava um gole na cerveja para empurrar a carne goela abaixo. Largou o prato cheio de ossos na mesa, enquanto levantava e dava um belo arroto, para desespero de Eulália e alegria do garoto, que ficou rindo do pai. Sábado à tarde. Barriga cheia, cervejinha do lado e cowboyzão dos bons na TV. Esparramou-se na poltrona de courino vermelho e botou a cerveja na mesinha ao lado, enquanto Eulália arrumava a cozinha do almoço. O menino postou-se à sua frente pedindo um novo arroto, que fosse tão alto, que o Juvenal, o vizinho, pudesse escutar. “Ô, menino! Sai da frente, caralho!” Queria assistir o filme, era daquele dos bons, muito sangue e balas. O filho parou com os pedidos de arroto, mas continuava a brincar na sala e teimava em atrapalhar o seu programa. “Ô mulé, não tá vendo que o seu filho tá aqui me atrapalhando?”, gritou Batistão. “Aproveita e me traz mais uma cerveja!” . Eulália veio esbaforida com a cerveja na mão e levou o pivete, que saiu chorando com um bonequinho na mão. O homem pegou a cerveja, reclamou da temperatura, abriu e deu mais uma bela golada. O tiroteio corria frouxo na TV. Estranhou o olhar do bandido em direção à câmera. Deu até medo. Ficou cismado que ele estava o repreendendo pela atitude com o filho. E o vilão voltou a atirar contra os mocinhos. Porém, uma das balas foi destinada ao homem no sofá, que deixou a cerveja cair ao sentir o projétil perfurando o seu tórax. Enterraram Batistão como mais uma vítima de bala perdida. Na volta para casa, Eulália ficou pensando como sustentar o menino, que havia ficado em casa, cuidado pela avó materna. Sabe-se que o filho cresceu e virou bandido, para se vingar de alguém que não existia e que havia dado fim ao seu pai, aquele que nunca o levou ao futebol.
Homenagem a badunda.blogger.com.br
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