
Estava rodeado de luzes confusas, música alta, e um clima que estigava ao libido. Isso mesmo. O proibido. Sentiu o desejo da carne a inflamar seu peito, suas pernas ficaram tremulas, suas mãos suaram, sentiu o colarinho apertar seu pescoço. Tudo girava a sua volta enquanto os corpos pulavam sincronizadamente. Tirou a bata. Sua cabeça girava. Sentiu o suor escorrer em sua testa.
Não estava acostumado com esses ambientes libidinosos, passou anos se dedicando ao celibato e as coisas de Deus. Não namorou. Estudou línguas, costumes de povos, possuia uma vida regrada. Não transava. Não fumava. Não bebia. Sem vícios. Foi educado para uma vida correta, alimentação balanceada. Era o sonho de sua mãe vê-lo na paróquia perto de sua casa. Há anos estudava para ser padre. Nunca esteve tão perto.
Tentou no início se desvencilhar da vida paroquial. Mas a influência de sua mãe era mais forte. Viu seus planos afundarem. Já não sentia mais o perfume de Isabela, Mariana, Caroline. Já não possuía o mesmo gosto e vigor de antigamente. Suas amigas não lembravam mais de seus beijos. Das tardes a fazer travessuras. Agora sua vida era voltada ao celibato. Sentiu vontade de gritar. Mas não tinha vontade própria, e não sabia o que era isso desde muito pequeno. Nuncam haviam deixado o menino tomar suas próprias decisões. Foi mimado. Sempre foi o mais querido, o preferido de mama. O primogênito.
Tentou ainda largar tudo para trás e compensar o tempo perdido. Recomeçar do zero. Fugiu. Passou dias longe da paróquia, porém o frio e a fome chegaram mais depressa. Era um período de fortes geadas, e não teve sorte pois não possuía amigos. Na verdade não conhecia ninguém na cidade. Havia ido somente para estudar. O cotidiano da vida na paróquia tomava todo seu tempo e as vezes passavam-se meses confinado em rezas e estudos. Sentia falta das meninas e do futebol de domingo. Ficou triste.
Acourdou de repente. Voltou para si após sentir sua cabeçar girar. Sabia que havia bebido demais, e que comemorações como essas já não faziam parte de sua vida há tempos, principalmente após ficar tanto tempo confinado. Procurou por ajuda. Não tinha ninguém. Estava sozinho. Gritou, mas não foi ouvido pela música alta no ambiente. Não aguentou o peso de seu corpo, e sentiu ser carregado pelos braços sendo jogado para fora da boate. Ficou ali mesmo durante horas. Nem sentiu quando pegaram sua carteira. Acordou no dia seguinte com ressaca. Não iria rezar naquele dia.
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