
Jesuíno era seu nome, nascido em cidade pequena de não mais 100.000 habitantes, era uma pessoa boa de coração, aguerrido de instinto e decidido por natureza. Filho de Eurivaldo e dona Marta, cresceu em meio de muitos problemas, de muita pobreza, mas superou com sagacidade e agora desfrutava do árduo suor de anos. Era feliz e infeliz ao mesmo tempo. Essa era sua sina.
Maria Rita era seu nome, nascida em cidade pequena de não mais 100.000 habitantes, era uma pessoa meiga, carinhosa, e era apaixonada por Jesuíno. Este não sabia, nunca soube que poderia ser recíproco o sentimento, afinal nunca teve coragem de entregar aquele pedaço de papel meio amassado que levou horas escrevendo a caminho do colégio. Chance não foram feitas para ser desperdiçadas. Maria Rita também sabia disso. Infelizmente o tempo havia pregado uma peça nos dois. Essa havia sido a sua sina.
Passaram-se anos, Jesuíno realizado porém infeliz, Maria Rita casada porém infeliz. Constantemente lembram-se dos tempos de quando eram jovianos. De tudo que faziam juntos, das aulas, das corridas pelos quarteirões queimados pelo sol incessante dos verões impiedosos do Norte. Das travessuras na banca da esquina e dos olhares tímidos trocados nas tardes de quinta-feira. O tempo havia sim agido de uma forma triste, os separou quando Jesuíno completou seus 18 e quando Maria Rita havia terminado sua graduaçã mudando-se de cidade. Era o mesmo caminho seguindo linhas opostas, desviando-se pelo destino.
A foto dos dois permanecia em ambas casas, com o mesmo porta-retratos, com as mesmas lembras, com o mesmo sentimento de culpa. Porém nem sempre de culpa vive o homem, há sempre uma segunda chance para os que não desitsem nunca de tentar. E Jesuíno não desistiu. Foi atrás de uma oportunidade, um oi, de um abraço forte, de um sorriso. Não sabia do que poderia receber, do que esperar de Maria Rita após tanto tempo. Mas abia que ainda era mto cedo para uma vida inteira, para se desistir de quem amamos. E ele não desistiu. Esse era Jesuíno. Seguiu seu instinto.
Vestiu branco e combinou com o casaco preto. Borrifou uma fragancia agradável, suave. Vestiu o jeans meio desbotado e comprou margaridas na banca da esquina. Havia descoberto onde Maria Rita morava e não perdeu tempo. Foi atrás de uma parte de sua vida, de algo que o pertencia.
Ao chegar identificou-se ao porteiro, pediu para tocar o 703. Maria Rita atendeu o interfone e ficou paralisada ao ouvir as poucas frases do funcionário. Não estava acreditando no que estava acontecendo. Susurrou algo positivamente ao porteiro. Lá embaixo, com um estalo, a porta se abriu após alguns bons minutos de espera. Jesuíno entrou! Nunca se sentiu tão nervoso em sua vida. Seu coração estava acelarado, não como de costume. Sentiu medo como não havia sentido antes, suas mãos suavam. Sabia que era a hora. Cada andar que se apagava as luzes colorida do elevador era como se fosse uma punhalada do tempo em seu coração. Barulho. 7 andar. A porta se abriu.
Caminhou tranquilamente procurando a numeração meio apagada. Avistou de longe o 703. Era sua hora. Sentiu as pernas bambas. Respirou fundo e continuou a caminha. Tocou suavemente a porta. Maria Rita estava tensa, nervosa, algo diferente de se explicar, nem mesmo ela sabia o que era isso. Olhou pelo olho mágico e era como não acreditasse no que estva vendo. Rodou a chave suavemente. Apertou com força a maçaneta.
Ao abrir a porta o tempo havia parado, ou melhor, o tempo havia contrariado toda o estudo de genios como Einstein. O tempo havia voltado. O brilho no olhar, o abraço, o beijo de saudade eram os mesmo de anos atrás. Se viram ainda como adolescentes. Sorriam juntos. A felicidade, o sentimento de conquista, do dever realizado, haviam superado o comodismo e a amargura da perda, do não ter feito, do não ter tentado. Jesuíno conquistou o feito que muitos não fazem, Jesuíno não se entregou, lutou pelo que sempre amou. Agora Jesuíno era Feliz. Pois a vida é uma só, e Jesuíno mais que ninguém sabia que ela passava mto rápida...