sábado, 6 de fevereiro de 2010

"...As vezes dá certo..."

Nunca foi fácil para Pederneiras manter em segredo o sentimento que tinha por Liete. Rapaz caseiro, de alta-estima baixa, torcedor do Goiás e frequentador de bares de terceira categoria não sabia como se libertar de tal "mal" que lhe atordoava diariamente. Se embebedava constantemente para tentar se sentir "free", e de vez em quando se perdia por bordéis ficando bons dias sem voltar para casa. Essa era vida de Pederneiras, "slave" dele mesmo, sem sonhos, sem expectativas, sem um ideal e com uma grande frustração.

Nma quarta-feira quando passava por uma dessas lojas artigos baratos para o lar, Pederneiras despertou e viu seu semblante no reflexo da vidraça. Sentiu vergonha daquele que estava a sua frente, seus olhos encheram-se de lágrimas, motivou-se a mudar sua vida. Pederneiras estava vivo novamente. Iniciou sua nova jornada com 100 flexões, e não conseguiu levantar no outro dia. Estava todo dolorido.

Liete sabia do sentimento de Pederneiras por ela, era uma mulher forte, 4 casamentos é 3 filhos, não podia se envolver emocionalmente com ele, mas gostava a provocar o pobre diabo do Pederneiras e a dar esperença de um possível relacionamento no futuro. Gostava de dinheiro, de conforto. Não era uma pessoa de bom coração e sabendo disso, vivia a rir das peripécias que fazia com Pederneiras.

O pobre homem mudou, barba feita, cabelo ao vento, alguns quilos a menos, perfume suave. Esse era o novo Pederneiras, até um emprego havia arrumado com um conhecido da vizinhança. Estava a sentir as mudanças em sua vida e já não bebia há 3 semanas. Esse era o sinal de mudança que aguardou durante toda a vida. A chance de sair da pindaíba, da penumbra havia chegado. Sorriu ao olhar para o Sol. Continuou sem trajeto.

Pederneiras naquele dia havia decidido falar com Liete, tinha que enfrentar aquele fantasma que fazia de sua vida uma desgraça e o momento era esse, pois não correria mais, não podia mais retroceder na vida....

Continua




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