sexta-feira, 24 de abril de 2009

Batalha...





Estava sentado a dias, quieto, calmo, paciente. Sentia a vida ao seu redor, sentia os animais, as plantas, a brisa da tarde a bater em seu rosto e o sol a enfrequecer ao horizonte perdendo espaço para a lua. Era como se estivesse de olhos abertos, era como se estivesse vivendo este momento, e bem ou mal, realmente estava, mas em seu mundo, e sabia que não poderia fraquejar agora. Faltava tão pouco. Continuou sua oração.


Era uma tradição de anos, de milênios? Isso ele não sabia, mas tinha certeza que precisava superar a si mesmo, superar o cansaço, a preguiça. Não sentia direito seu ombro, muito menos sua perna, e não tinha fome, muito menos sede, estava intacto como uma planta em sua raíz a fazer fotossíntese com os raios do sol a arder em sua pele. Tinha certeza que da raíz de sua mente não enfraqueceria, pois precisava entrar para a entidade, precisava ser mais "Um". Estava disposto a tudo, e iria até as últimas consequencias. Havia esperado por essa oportunidade e não a disperdiçaria. Franziu seu rosto com força. Lembrou-se do passado. Sentiu seu coração a acelerar.


Por um instante sentiu algo estranho ao seu redor, mas não sabia bem o que poderia ser. Perder a concentração era algo que ele não estava disposto a fazer, e acabou não ouvindo os estalos de madeira a rachar ao fundo e o calor a subir rapidamente pela casa. Após alguns minutos, sentiu o calor a percorrer o seu corpo, mas era tarde demais ao abrir os olhos. Tudo estava claro e a queimar em um calor desigual. Tentou levantar, mas caiu pela fraqueza de seu corpo. Estava em jejum há dias e sabia que seria uma presa fácil para o cenário que se apresentava em sua frente. Sem desistir rastejou até a cozinha, e sabia que poderia escapar caso alcançasse uma porta aos fundos. Nunca desistir, era como um hino em sua mente.


Tentou ainda olhar aquela que um dia havia sido sua casa. Agora eram só pedaços de estacas em cinzas e resto das coisas destruídas. Havia ficado preso tentando chegar a cozinha, e um pedaço do teto havia caído bem em cima de suas pernas. Restou a observar tudo que tinha conseguido com o suor de seu trabalho de anos. Viu um flash em sua cabeça e nesse flash viu que não escaparia, havia chegado sua hora. Tentou distrair-se enquanto o fogo subia e se aproximava queimando sua pele. Pensou banalidades, lembrou-se de churrascos, mulheres, e cerveja, pois era o que ele mais queria nesse momento para esquecer dos problemas. Mas infelizmente não conseguiu. Desmaiou pela fumaça a tomar o ambiente. Não conseguiu recuperar os sentidos no pouco de tempo que o restava. Não conseguiram reconheceram o corpo encontrado entre os destroços. Tudo havia sido destruído....

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