domingo, 26 de abril de 2009

...uma flor.. dois jardins...





Evandro era um cara simples, conhecido por todos e querido por muitos, levava uma vida simples, sem muito luxo, sem muita ostentação. Se considerava uma pessoa feliz consigo mesmo, feliz pela vida que levava, do cheiro do verde que podia sentir todas manhãs ao acordar até o friozinho do entardecer a chegar a noite. Gostava disso. Era como se fizesse parte dele.

Ao seu modo de ver as coisas, achava que sua vida poderia ser melhor se Mariazinha olhasse para ele com os mesmos olhos com que ele a olhava. Ela tinha um brilho diferente das outras meninas, ela era doce, meiga, atenciosa, características que qualquer pessoa poderia ter, mas que só ela sabia transmitir. Seu coração sempre batia forte em sua presença. Medo?. Frio? Ele não sabia, mas tinha certeza que Mariazinha era a sua garota, ou pelo menos sonhava que ela poderia ser. Tinha esperança.

Contudo, Evandro enchia os olhos de Alessandra, que ao modo de ver a vida, achava que essa poderia ser muito melhor ao lado do seu amado. Passava horas escrevendo em seu diário e ensaiando cenas ao espelho caso encontrasse Evandro a sós. Ele tinha um olhar que a conquistava, era algo inocente e ao mesmo tempo dominador. Sentia um calor diferente ao seu lado, suas mãos sempre suavam, e sua voz perdia um pouco da vibração. Sonhava com o dia ao lado de Evandro. Tinha esperança.

Era engraçado de ver a vida dos 3. Todos possuiam esperança em alguém, esperança de serem felizes, porém, ninguém estava garantido de nada. Dependeriam de si mesmos caso quisessem chegar a algum lugar. Dependeriam da sorte com o tempo a correr sem parar. Conseguiam ter o discernimento de que nada disso poderia acontecer e que outras pessoas poderiam entrar em suas vidas, assim... do nada!. Conseguiam ter esse discernimento, e prometeram a si mesmos que não disperdiçariam uma oportunidade, pois como dizia o velho deitado(trocadilho barato)... nada é por acaso.

O grande momento havia chegado, era dia de festa na pequena cidade onde moravam. Todos iriam e ambos sabiam que o momento era oportuno para seus próprios objetivos. Evandro avistou Mariazinha e tinha sido avistado por Alessandra. Mariazinha fingiu que não viu Evandro, mas olhou com inveja para a roupa de Alessandra. Alessandra desenrolou com seu irmão para flertar com Mariazinha. Evandro foi até a barraca da maça do amor e pediu duas bem grandes. Enquanto isso ao canto, Mariazinha cansava-se do irmão de Alessandra que não parava de falar besteiras. Alessandra aproveitando-se do momento, esbarrou em Evandro como pretexto, porém não foi feliz devido as maçãs terem ido ao chão mais rápido do que qualquer coisa. Evandro não sorriu. Andou em direção ao contrário a Alessandra blasfemando baixinho que deixou Alessandra desconcertada. Mariazinha decidiu ir embora um pouco mais cedo a ficar ao lado do irmão de Alessandra. Evandro acabou ficando sem o dinheiro da passagem devido as maças do amor.... Adaria uns 5 quilometros a chegar em seu pequeno sobrado.


sexta-feira, 24 de abril de 2009

Batalha...





Estava sentado a dias, quieto, calmo, paciente. Sentia a vida ao seu redor, sentia os animais, as plantas, a brisa da tarde a bater em seu rosto e o sol a enfrequecer ao horizonte perdendo espaço para a lua. Era como se estivesse de olhos abertos, era como se estivesse vivendo este momento, e bem ou mal, realmente estava, mas em seu mundo, e sabia que não poderia fraquejar agora. Faltava tão pouco. Continuou sua oração.


Era uma tradição de anos, de milênios? Isso ele não sabia, mas tinha certeza que precisava superar a si mesmo, superar o cansaço, a preguiça. Não sentia direito seu ombro, muito menos sua perna, e não tinha fome, muito menos sede, estava intacto como uma planta em sua raíz a fazer fotossíntese com os raios do sol a arder em sua pele. Tinha certeza que da raíz de sua mente não enfraqueceria, pois precisava entrar para a entidade, precisava ser mais "Um". Estava disposto a tudo, e iria até as últimas consequencias. Havia esperado por essa oportunidade e não a disperdiçaria. Franziu seu rosto com força. Lembrou-se do passado. Sentiu seu coração a acelerar.


Por um instante sentiu algo estranho ao seu redor, mas não sabia bem o que poderia ser. Perder a concentração era algo que ele não estava disposto a fazer, e acabou não ouvindo os estalos de madeira a rachar ao fundo e o calor a subir rapidamente pela casa. Após alguns minutos, sentiu o calor a percorrer o seu corpo, mas era tarde demais ao abrir os olhos. Tudo estava claro e a queimar em um calor desigual. Tentou levantar, mas caiu pela fraqueza de seu corpo. Estava em jejum há dias e sabia que seria uma presa fácil para o cenário que se apresentava em sua frente. Sem desistir rastejou até a cozinha, e sabia que poderia escapar caso alcançasse uma porta aos fundos. Nunca desistir, era como um hino em sua mente.


Tentou ainda olhar aquela que um dia havia sido sua casa. Agora eram só pedaços de estacas em cinzas e resto das coisas destruídas. Havia ficado preso tentando chegar a cozinha, e um pedaço do teto havia caído bem em cima de suas pernas. Restou a observar tudo que tinha conseguido com o suor de seu trabalho de anos. Viu um flash em sua cabeça e nesse flash viu que não escaparia, havia chegado sua hora. Tentou distrair-se enquanto o fogo subia e se aproximava queimando sua pele. Pensou banalidades, lembrou-se de churrascos, mulheres, e cerveja, pois era o que ele mais queria nesse momento para esquecer dos problemas. Mas infelizmente não conseguiu. Desmaiou pela fumaça a tomar o ambiente. Não conseguiu recuperar os sentidos no pouco de tempo que o restava. Não conseguiram reconheceram o corpo encontrado entre os destroços. Tudo havia sido destruído....

domingo, 19 de abril de 2009

... o não perder é o tentar...




Jesuíno era seu nome, nascido em cidade pequena de não mais 100.000 habitantes, era uma pessoa boa de coração, aguerrido de instinto e decidido por natureza. Filho de Eurivaldo e dona Marta, cresceu em meio de muitos problemas, de muita pobreza, mas superou com sagacidade e agora desfrutava do árduo suor de anos. Era feliz e infeliz ao mesmo tempo. Essa era sua sina.

Maria Rita era seu nome, nascida em cidade pequena de não mais 100.000 habitantes, era uma pessoa meiga, carinhosa, e era apaixonada por Jesuíno. Este não sabia, nunca soube que poderia ser recíproco o sentimento, afinal nunca teve coragem de entregar aquele pedaço de papel meio amassado que levou horas escrevendo a caminho do colégio. Chance não foram feitas para ser desperdiçadas. Maria Rita também sabia disso. Infelizmente o tempo havia pregado uma peça nos dois. Essa havia sido a sua sina.

Passaram-se  anos, Jesuíno realizado porém infeliz, Maria Rita casada porém infeliz. Constantemente lembram-se dos tempos de quando eram jovianos. De tudo que faziam juntos, das aulas, das corridas pelos quarteirões queimados pelo sol incessante dos verões impiedosos do Norte. Das travessuras na banca da esquina e dos olhares tímidos trocados nas tardes de quinta-feira. O tempo havia sim agido de uma forma triste, os separou quando Jesuíno completou seus 18 e quando Maria Rita havia terminado sua graduaçã mudando-se de cidade. Era o mesmo caminho seguindo linhas opostas, desviando-se pelo destino.

A foto dos dois permanecia em ambas casas, com o mesmo porta-retratos, com as mesmas lembras, com o mesmo sentimento de culpa. Porém nem sempre de culpa vive o homem, há sempre uma segunda chance para os que não desitsem nunca de tentar. E Jesuíno não desistiu. Foi atrás de uma oportunidade, um oi, de um abraço forte, de um sorriso. Não sabia do que poderia receber, do que esperar de Maria Rita após tanto tempo. Mas abia que ainda era mto cedo para uma vida inteira, para se desistir de quem amamos. E ele não desistiu. Esse era Jesuíno. Seguiu seu instinto.

Vestiu branco e combinou com o casaco preto. Borrifou uma fragancia agradável, suave. Vestiu o jeans meio desbotado e comprou margaridas na banca da esquina. Havia descoberto onde Maria Rita morava e não perdeu tempo. Foi atrás de uma parte de sua vida, de algo que o pertencia.

Ao chegar identificou-se ao porteiro, pediu para tocar o 703. Maria Rita atendeu o interfone e ficou paralisada ao ouvir as poucas frases do funcionário. Não estava acreditando no que estava acontecendo. Susurrou algo positivamente ao porteiro. Lá embaixo, com um estalo, a porta se abriu após alguns bons minutos de espera. Jesuíno entrou! Nunca se sentiu tão nervoso em sua vida. Seu coração estava acelarado, não como de costume. Sentiu medo como não havia sentido antes, suas mãos suavam. Sabia que era a hora. Cada andar que se apagava as luzes colorida do elevador era como se fosse uma punhalada do tempo em seu coração. Barulho. 7 andar. A porta se abriu.

Caminhou tranquilamente procurando a numeração meio apagada. Avistou de longe o 703. Era sua hora. Sentiu as pernas bambas. Respirou fundo e continuou a caminha. Tocou suavemente a porta. Maria Rita estava tensa, nervosa, algo diferente de se explicar, nem mesmo ela sabia o que era isso. Olhou pelo olho mágico e era como não acreditasse no que estva vendo. Rodou a chave suavemente. Apertou com força a maçaneta.

Ao abrir a porta o tempo havia parado, ou melhor, o tempo havia contrariado toda o estudo de genios como Einstein. O tempo havia voltado. O brilho no olhar, o abraço, o beijo de saudade eram os mesmo de anos atrás. Se viram ainda como adolescentes. Sorriam juntos. A felicidade, o sentimento de conquista, do dever realizado, haviam superado o comodismo e a amargura da perda, do não ter feito, do não ter tentado. Jesuíno conquistou o feito que muitos não fazem, Jesuíno não se entregou, lutou pelo que sempre amou. Agora Jesuíno era Feliz. Pois a vida é uma só, e Jesuíno mais que ninguém sabia que ela passava mto rápida...